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Princesa Sem Tiara

Blog pessoal, de alguém que pela escrita é apaixonada e à moda já há muito se rendeu!

O meu "Gap Year"




Quando decidi revelar mais sobre mim sabia que este tema um dia teria lugar. O meu Gap Year ou abo sabático. 

Passamos o secundário repletos de planos, sonhos e ilusões. Muitos com uma meta, outros indecisões. E a pergunta que desde pequenos se torna no maior cliché de todas as conversas: "Então e o que queres ser quando fores grande?" Como se ser astronauta porque vimos nos filmes, cabeleireira pela rotina das nossas mães de sábado ou professora porque achamos a nossa um máximo, fosse ser o nosso sonho do dia seguinte e de repente o tempo voa. Entre amigas, namorados, novas escolas, testes e trabalhos e quando damos por ela acabamos de ligar aos nossos pais a dizer que passamos nos exames nacionais e sem fazer a ideia do que fazer a seguir. "Acabamos o secundário, e agora?" Quem nunca fez esta pergunta com o enorme receio e o peso nos ombros de que aquelas cruzinhas que preenche na candidatura irão mudar por completo na sua vida? Eu fiz! 

Acabei o secundário e quando dei por mim todas as ideias de licenciaturas que tinha, tinham desaparecido e não fazia a mínima ideia do que queria fazer. Lembro-me de ser pequena e passar por todas as fases de ideias: educadora de infância, professora, psicóloga. Como uma típica rapariga que se preze. Tinha começado a trabalhar numa loja nas férias de verão - quem me conhece sabe que não me dou parada - e de repente, nos últimos dias de terminar o prazo, preencho a candidatura como quem joga ao jogo do galo e coloco em primeira opção gestão de atividades turísticas por achar que deve ser interessante e uma profissão divertida, sem saber bem o que seria. Excelentes argumentos, digam lá. Escusado será dizer que arrependi-me profundamente quando percebi que tinha entrado. 

Não queria andar na universidade só por andar. Estava a trabalhar naquele momento e a ideia de abandonar um emprego para fazer um curso que não me cativava só para ter uma licenciatura e dizer que andava na universidade, não tinha, nem tem, nada a ver comigo. Ainda poderei congelar a matrícula, mas cada vez mais gestão de actividades turísticas diziam-me menos. E então, parei um ano! A trabalhar numa loja, a desafiar-me na timidez e a surpreender quem assim me achava. A crescer e a formar-me, muito do que hoje sou enquanto pessoa. Mas se para supostas amigas fiz o maior erro de sempre, se hoje passasse pelo mesmo, faria exactamente igual. Fiz amizades para a vida, superei mais do que alguma vez achava e acima de tudo, cresci imenso. Responsabilidade, maturidade, presença, personalidade, carisma, determinação, vontade. Ter parado um ano entre o secundário e a universidade contrariamente ao que as pessoas pensavam não me fez desistir. Mas encarar a licenciatura com outra seriedade. Sim, porque passado um ano lá estava eu a preencher de novo a candidatura e a entrar felizmente na minha primeira opção: solicitadoria. Que como podem ver o turismo não era mesmo para mim. E quando procuramos sempre algo que nos desafie, não lugar ao comodismo!









Ângela Santos | Braga
aprincesasemtiara@gmail.com



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