Sindrome do ... olhem nem sei!

Já alguma vez sentiram que a vida vos deu uma espécie de clique que vos fez pôr as coisas em perspectiva? Eu já! Tive esse abanão o ano passado. Voltei a ter outro este ano. Ironia das ironias. No final do mês em que no seu inicio tinha escrito um compromisso: cuidar de mim. Escusado será dizer que não o fiz. Tudo vem sempre em primeiro lugar. O trabalho. A casa. O corre-corre. Até que o corpo obriga-nos a parar. E em dois dias sou capaz de ter dormido mais do que quase numa semana inteira. Ontem, teimosa lá fui. Não diria tentar a sorte, mas talvez mais, a fazer aquilo que só o sei fazer. Como ha uns meses alguem me disse, tenho o exemplo do trabalho sem parar e que descansar não faz parte. Mas não podia estar mais errada. Vi, naquele dia, literalmente o meu mundo a andar à roda, como se estivesse desorientada. Depois de uma semana que tanto tinha acontecido. Depois de mais um mês a viver sem saber parar. Ironia das ironias: o meu corpo obrigou-me a parar. E ontem quando fui trabalhar, num dia pacifico em que tudo fluiu no trabalho, cheguei ao final do dia com uma sensação estranha como se faltasse algo. Tinha andado o dia inteiro com aquilo na cabeça, até que no final do dia percebi. Sou a mulher que dá tudo no trabalho. Que aprendeu a ser assertiva, mas a manter a empatia. Sou a que brinca em todas as situaçoes e que põe senhores de fato a rir. Aprendi nestes ultimos 3 meses a ter jogo de cintura para me adaptar e encaixar em todas as situações. E mais do que encaixar, aprendi a como me destacar e fazer ouvir. Porque uma mulher de 32 anos a trabalhar no meio de senhores da banca de mais de 50's tem que se saber fazer ouvir. E nestes 3 meses aprendi a ser esta woman boss, workaholic, de pulso firme, empatia presente e divertidamente profissional que em cada dia foi e é como uma liçao de como melhorar. Mas sabes o que percebi. Esqueci-me que a vida não tem só o lado profissional. E se queremos ser a mulher que nos orgulhemos, temos que ser a girl boss ou a woman boss da nossa vida. Ser a mulher que mesmo que não tenha as coisas todas sob controlo - porque vamos ser sinceras é impossivel ter sempre tudo sob controlo - que vai todos os dias atrás de ter uma gestão das coisas. De organizar, planear e fazer. E que no meio desta vida linearmente controlada ser capaz de saber parar, respirar e aproveitar os momentos. Para cuidar de mim, namorar, brincar com a filha e saber estar em paz. A vida faz-se no conjunto de momentos que fogem ao nosso controlo. E se vivermos constantemente a sentir que está tudo um caos como vamos conseguir sobreviver quando as coisas nos surpreendem? É preciso fazer aquilo que adiámos, por nunca ter tempo. O livro há meses para planear. O pilates que ando há meses por inscrever. A churrasqueira que ainda não houve tempo por estrear. E a escrita que estava parada no lugar. Porque isto não é terapia, mas é terapeutico. E vai haver um dia que o clique puderá se fazer sentir mais forte, neste sindrome não sei do quê, se continuar a abusar da sorte e não for capaz de quebrar padrões. Um dia uma grande mulher disse-me algo que ficou até hoje na minha cabeça "mais do que manifestar, temos que ir atrás da mulher que queremos ser, da vida que queremos ter e isso começa agora, na forma como nos comportamos. Não podemos culpar os outros pelas coisas que não fazemos. Cabe-nos a nós assumir as coisas." E se ha coisa que sindrome de não sei o quê ensinou é que nunca é tarde para mudar. E ver as coisas de outra perspetiva. E se continuarmos numa montanha-russa sem parar, o nosso corpo encarrega-se disso. E não. Nada justifica isso.