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Princesa Sem Tiara

Blog pessoal, de alguém que pela escrita é apaixonada e à moda já há muito se rendeu!

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Ter | 18.11.25

Alguém que eu conhecia!

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Acredito que nada é por acaso. Aquele café com uma amiga sem contar. Um telefonema de outra amiga que não esperámos. O livro motivacional no corredor do supermercado numa ida às compras, com a frase do "deixa estar" e lá dentro a mensagem, "é preciso aprender a aceitar ..." Um postal de uma amiga, perdido entre caixas, com a mensagem de ir atrás dos sonhos e de acreditar em mim, dado no dia do meu casamento, uma semana antes de ir a um evento que me deu o click que mudou a minha vida profissional. E aquele filme romântico, sem o típico final feliz do casal apaixonado, que nos faz pensar mais do que no amor a dois, no amor próprio. E na versão de quem éramos e em quem nos tornámos. Nos sonhos arrumados na gaveta. No conformismo da vida. E no corre-corre dos dias. Dos quais me fiz como conformada. Como se sentisse que tinha o peso do mundo e das responsabilidades às minhas costas. E a rotina fosse uma obrigação onde não havia espaço para o tanto mais. Esse tanto mais que dá o brilho no olhar. Do tanto que fazia. Dessa outra versão que era. E esse alguém que eu conhecia. Que era eu. Antes de ser esposa, mãe, mulher, a profissional que nunca desiste. E de me ter perdido no meio da rotina e da fase acomodada da vida adulta e do trabalho. Da que faz parte e a sociedade não nos faz questionar. Mas que me faz sentir inspirada pelas mulheres que ousam querer mais. E que mais do que isso. Que fazem mais. Que se desdobram em duas e três versões de si proprias, onde tem espaço para o que a sociedade dita e os sonhos comandam. E arranjam sempre espaço para mais. E eu vou vendo e lembrando. Da miuda dos mil e um projetos que eu também ja fui. E percebi. Que esse pedaço de vazio que sentia era por essa versão de mim que já não era. Porque a miuda que eu era já não o sou mais. Esse alguém que eu conhecia hoje deu lugar à mulher, mãe, esposa e profissional que nunca desiste que ainda está a aprender a cada dia a conseguir arranjar um equilibrio em cada uma destas versões. Numa ginástica quase acrobática para tentar chegar a tudo. E aceitar. Que esse alguém que eu conhecia já não existe mais. Cresceu, mudou, moldou-se. Hoje tem si o peso da responsabilidade do mundo às costas e sente-se muitas vezes assoberbada. E está tudo bem nisso. Em aceitar a mudança. Mas mais do que isso. Em perceber que o alguém que antes éramos não somos mais. Mas somos muito mais. E que sim. Podemos ser capazes de fazer tudo. Mesmo que não seja da mesma maneira, nem no mesmo ritmo. Mas somos. O importante? Não nos esquecermos que aquele alguém que conhecíamos vai continuar sempre a fazer parte de nós, da nossa história. E que ainda o somos. Mesmo que a rotina nos faça esquecer disso. E ainda somos capazes de ser esse alguém. E hoje agradeço a tantas mulheres que diariamente nos relembram de tudo isso que diariamente digo à minha filha: "Tu és capaz de tudo!"